Sábado, 16 de Agosto de 2008

Cristianismo e Verdade

Quantas vezes somos levados a crer que a religião é “coisa de gente fraca”? Ou até mesmo “coisa de alienado”? A religião hegemônica no Ocidente, o Cristianismo, traz contribuições sociais que até mesmo muitos cristãos não levam em conta por acharem muito radicais. – É o Cristianismo do Lugar Comum. Pelo lugar comum.
Muitas frases e passagens, pelo conteúdo revolucionário ajudariam muitas pessoas a se converterem como: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”.(I Cor. 1, 27) ou “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”. (Mat. 10, 34). São passagens que nenhum cidadão espera ouvir de um cristão, mas, por que razão os cristãos se afastam tanto de tais questões? O cristão de hoje, em sua maioria é um sujeito bem adaptado ao capitalismo e aos seus anseios. Um sujeito pacífico.
Não devemos nos deixar corromper pelo senso comum cristão que sufoca as minorias e as oprime, fazendo das Igrejas, templos do preconceito e da “normalidade social” até mesmo promovendo uma eugenia social. Nociva idéia de igualdade até mesmo fisiológica onde as funções devem todas estar em um padrão, esmagando as diferenças que compõem um quadro comportamental interessante.
Se olharmos as passagens bíblicas onde o Diabo tenta Jesus, veremos a questão do fetiche e da rendição, coisas que o capitalismo faz o tempo inteiro, ressignificando símbolos e os transformando em mercadorias. O Diabo oferece tudo, assim como o capitalismo. Você só tem que se render a ele. As semelhanças são muitas.
Cristo é amor e liberta! Este é o núcleo da mensagem, todo o resto é adereço, convenções humanas, judaicas e/ou conciliares.
Os cristãos, baseados no núcleo da mensagem, deveriam parar de reprimir os homossexuais, os pobres, os negros e todo aquele que representa o outro antropológico para espalhar a mensagem divina do amor incondicional.
Enquanto o cristianismo estiver preso a questões morais e mesquinhas e o cristão estiver se sentindo bem em um mundo socialmente desigual, não vão estar habilitados a subverter o sistema que impede o “nivelamento” proposto pelo Divino e continuará sendo um braço lucrativo do Capi(e)talismo.

Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Vamos esperar o mamão amadurecer?


Maturidade, palavra chave para o bom entendimento de toda e qualquer questão. Vivemos em um mundo onde a maturidade é vista como uma chatice e bom mesmo é ser adolescente. A tv e os meios de comunicação estão o tempo inteiro nos passando tal mensagem, porém tal definição breca uma série de outras vivências plenas e considerações.
Na minha última postagem, fiquei muito satisfeito com a possibilidade de diálogo com uma leitora (consegui uma!!) de apelido xikinha. Ela desabafa, e eu acho que é o espaço de desabafar mesmo, sobre seu contato com a universidade. Todas as coisas que ela fala são verdades, lá você encontra um nível de babaquice, de intelectualidade tacanha, com o fim em si mesmo, muito grande. Mas por tal motivo, o resultado é acabarmos com a intelectualidade e implantarmos a ditadura da prática?! Abaixarmos a cabeça para a produção acadêmica e mergulharmos no interminável cotidiano?! O nome de tal concepção está muito claro para quem quiser ouvir: Pós-modernidade.
Enquanto conceito, a pós-modernidade vai ter como pressuposto a morte da História. Pressuposto esse que sepulta o passado enquanto fonte de análise, junto com os projetos para o futuro e nos faz mergulhar em um eterno presente. Resultado: Quem, no ano de 2008, pensa no amanhã? Quem projeta sua vida para além dos próximos dois meses? Quem o faz, é taxado de antiquado ou chato.
Outra concepção proveniente da pós-modernidade é o fim das metanarrativas. Conceito lingüístico que não domino, mas posso ousar. A modernidade fica marcada como o período em que as metanarrativas dão as cartas, o projeto iluminista e marxista, são dois ótimos exemplos. Projetos que pressupõe uma universalidade, que abarquem toda a humanidade. Segundo a pós-modernidade, vivemos em um mundo fragmentado e tais discursos perderam o sentido. Ora, opressores continuam opressores e oprimidos continuam oprimidos.
A pós-modernidade parte de um mau-caratismo acadêmico. Defender seu projeto, é defender a fragmentação que o Capital impõe, lembram da máxima “dividir para governar!”? É assim que funciona e as minorias embarcaram nessa, fragmentando a luta, individualizando a luta. A luta e a culpa.
Por isso afirmo, estamos num tempo, onde as pessoas jurídicas dão as cartas. E o demérito fica sempre pro indivíduo, sempre desconsiderando a história, lembram do Capitão Nascimento (policial sacripanta que virou herói de cinema em filme onde a classe média mostra seu projeto de Brasil)? O Nascimento não quer nem saber se o traficante passou fome ou foi maltratado pelos pais (desprezo pela história). O desprezo do Nascimento é o desprezo que o Estado tem nessa nova Era do Capital (Opa!)!!!
Quando se compra maconha na mão de uma criança, é pecado, crime, tem que morrer, maconheiro filho da puta, mas se você compra bala no sinal, você ajuda... na boa, não faz muito sentido pra mim. É óbvio que lugar de criança é na escola, lugar onde deveríamos todos nos engrandecer em todos os níveis e possibilidades, desenvolver nossas potencialidades, onde as classes populares possam realmente tomarem seu lugar de classe revolucionária.
Voltando para o início do texto, essas pessoas que encontramos, porque eu também encontro, não se iludam, nas universidades, cheias de discurso até mesmo de esquerda e revolucionárias de butique, são imaturas. Pessoas que daqui a dez anos, estão votando no PSDB e no PFL (me recuso a chamar de DEM). Pessoas que não tem uma profundidade e ficam bravateando erudição, que não tem. O que temos que fazer, xikinha, é lutar com o discurso (pelo menos por enquanto), e torcer para que tais pessoas cresçam e amadureçam suas idéias, por que mesmo na esquerda, estão reproduzindo uma neutralidade babaca.
Xikinha, adorei sua intervenção e entre sempre que puder. Um abraço.

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Lixo na Baía


É, galera.... todo dia surge mais lixo, mas a nossa parte a gente faz... ensinamos às crianças que não devemos jogar lixo pela janela do carro!! E as empresas que jogam metais pesados nos rios?! Não interessa. Só interessa que nós, os indivíduos somos culpados e se nós nos mobilizarmos e fizermos a nossa parte, tudo estará resolvido. BALELA!! Besteira!
Tenho uma proposta. Poderíamos fazer um dia de sujar a Baía, já tenho até algumas frases:
1 - Seja cidadão, suje a Baía você também.
2 - Você também pode sujar a Baía.
3 - Uma Baía, uma sujeira.

Acho que dessa forma poderíamos mensurar o nível de sujeira nesses dias e comparar com as empresas, pessoas jurídicas, e tenho certeza, mesmo com maciça propaganda perderíamos.
Vivemos em uma situação histórica onde o indivíduo leva a culpa de tudo. O tráfico é culpa do usuário. A rua alaga, culpa de quem entope o bueiro. O vasco perde, culpa do Edmundo que perdeu o pênalti. A culpa cai sempre no indivíduo. Isso é um Lugar Comum. Devemos sair da esfera do achismo e das garras dessa imprensa louca.

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Questões para pensar...

- Por que ainda deixam o Edmundo bater penalti?
- Por que ainda cobrem as eleições estadunidenses como se fossem uma notícia doméstica?
- Será que se o Fernando Gabeira entrar para a prefeitura ele continuará utilizando a sunga de crochê?
- Será que alguém ainda defende o governo Lula como um governo de esquerda?

Na próxima postagem, aguardem que colocarei questões mais complexas. Comentem, deixem registradas suas opiniões.

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Uma análise centrada sobre a Crise das esquerdas.

Venho dessa vez, dar um alerta! Nos meios acadêmicos, alguns profissionais muito respeitados tem sido responsáveis por divulgar injúrias e infâmias no que concerne ao Marxismo. Muitas dessas correntes que se dizem pós-qualquercoisa, andam alarmando já há algum tempo a MORTE DO MARXISMO. Bem, temos tantos argumentos para rebater tal argumento que vou ter que ir por partes para não me embolar...

1) Uma idéia não morre, mesmo que seu propósito tenha sido ultrapassado, o que nem é o caso do marxismo que objetiva derrubar o capitalismo e ainda não conseguiu. Temos muitos exemplos pra dar sobre a não-morte das idéias, então vamos aos exemplos nefastos: Nessa palhaçada de comemoração pelos 200 anos da chegada dos parasitas da Família Real ao Brasil, remeto-me ao plebiscito que ocorreu no início da década de 1990 que previa uma eleição para entre outras coisas, a volta da Monarquia! Ora, caros amigos, Os jacobinos já arrancaram a cabeça do Rei, por que temos que voltar nisso? Será que essa idéia não morreu? Não, não morreu. Tanto que fizeram o tal plebiscito. Tinha cédula e você tinha lá um quadradinho pra marcar um xiszinho na monarquia. Acho que essa primeira questão está bem elucidada: as idéias não morrem! Se mesmo depois que o sistema capitalista for derrubado o marxismo não vai morrer, imagina com o capitalismo ainda por aí, rindo da nossa cara? O MARXISMO ESTÁ AÍ PARA LAVAR A NOSSA CARA.

2) O Marxismo está em crise. Sim, qual o problema? Crises se resolvem com discussões abertas e amplas, se resolvem com entendimento das partes interessadas. Por que ninguém decretou a morte do capitalismo em 1929? Ou em 1974? As pessoas acham que o capitalismo está dado, que é isso aí. Mas a História só serve para nos mostrar que as estruturas mais bem fundamentadas são levadas a ruir com o tempo. Alguém acha que um nobre do século X achava que um dia ia tomar na cabeça uma revolução francesa? A crise do marxismo existe e é real, ela serve para criarmos alternativas ao capitalismo que muda o tempo inteiro. ENQUANTO HOUVER LUTA DE CLASSES, VAI HAVER O MARXISMO.

3) Temos que criar novas formas de luta. Sim, não devemos ficar estagnados. Greves não têm mais a força midiática que tinham em outro tempo nem tão distante, mas não é por isso que devem deixar de existir. Os sindicatos não têm mais força. Os partidos são vendidos. Realmente parece que a História acabou, que as ideologias morreram, mas se você passar um pouquinho só da superfície, você verá que os conflitos continuam e onde há conflito, há luta. A luta dos bolivianos de Cochabamba contra a distribuidora de água, muito bem colocada no filme Corporation é um exemplo. Agora se você quer construir sua defesa baseado no noticiário da Globo ou de qualquer meio de comunicação que trata da conjuntura e se esquece da estrutura, qualquer meio de comunicação comprometido em ser um APARELHO IDEOLÓGICO DE ESTADO... Eu só tenho a lamentar.

4) Marx morreu. Sim, mas Adam Smith não? Milton Friedman não? John Locke não? Ora, vamos e venhamos. A morte de Marx não quer dizer nada. Seus escritos e suas idéias sistematizadas por tantos outros servem de base para combater os desmandos da idéia capitalista. Temos que criar novidades? Temos que ter cuidado! Nos séculos iniciais da modernidade, as ideologias que conhecemos hoje, de um modo geral surgiram e principalmente no século XIX tinham um sentido universalizante. Sendo assim, pouca coisa restou de novidades para pensarmos, agora na prática as coisas mudaram, principalmente com Marcuse e Foucault que esmiuçaram e olharam fundo na unidade de classe para demonstrar que dentro de tais classes, as coisas não eram harmônicas. São contribuições maravilhosas para o marxismo que experimentou uma nova dimensão desde então. Foucault e Marcuse NÃO descartam o marxismo e a revolução, somente demonstram que tem mais coisa aí embaixo. Agora quem usa estes autores para matar o marxismo é minimamente leviano.

Bem, acho que estes argumentos bastam para explicitar que a fagulha que Marx acendeu no nascer da modernidade não morreu e vive na esperança de reconstruir o que de um modo geral os meios de comunicação lutam para destruir o tempo inteiro... Enquanto isso, nós nadamos contra a corrente... só pra exercitar...

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

Fidel... Não se vá...

É, amigos do blog... nosso comandante está indo pelo ralo e os vermes capitalistas vibram mais uma vez. O afastamente do Comandante Supremo da Revolução Cubana está sendo divulgada pelas bandas de cá como uma vitória, mas pensemos bem... Vitória de quem?!
Durente os quase 50 anos de governo cubano, os níveis sociais alcançado na Ilha é maior do que qualquer país na América Latina. Em qual dos países latinos encontramos com tanta clareza niveis educacionais e de saúdecomo os de Cuba? Nem precisa respoonder que essa eu sei. NENHUM! Isso mesmo. Fidel fez em pouco mais de 40 anos o que a galerinha reacionária não conseguiu fazer em 500!! Acham pouco? Com certeza tem gente que acha.
Alguns falam da liberdade que não há na Ilha. Ora, vamos e venhamos, por aqui NÃO existe tal liberdade. O que existe aqui é a possibilidade inalcansável da liberdade. Por que normalmente os que se levantam contra a falta de liberdade em Cuba não gostam de liberdade? Quem proclama tal discurso normalmente é o reacionário que aqui, num "paraíso democrático" é contrário a todas as medidas concernentes a liberdade. Quem proclama esse discursinho de merda é noprmalmente uma galera que quer reduzir a maioridade penal e quer prender tudo quanto é usuário de droga! Podem perceber...
O afastamento de Fidel é uma página muito honrosa da História do pensamento de esquerda latino-americano, é uma página emocionante de quem vê o mundo sob uma perspectiva da libertação e pensar no mundo sem ele, dá um medo, mas não podemos nos deixar abater. Temos que realmente nos preocupar, por que a mídia o tempo inteiro sepulta o socialismo e toda forma de tentativa de respirar.
E os fugitivos da Ilha?! Em sua maioria, um bando de ingratos que se formou as custas do povo cubano e de alguma forma quer deixar pra trás quem financiou seus estudos acadêmicos... e sem PROUNI!!! Obviamente, Fidel comete excessos, obviamente a falta de liberdade de expressão é um dos problemas graves em Cuba, agora, com certeza, se houvesse alternativa socialista, com certeza, os cubanos estariam mais amparados. O isolamento de Cuba é muito nocivo àquela sociedade, portanto, mais uma vez, quem derrubou o regime foi a ganância e os estratagemas do porco capitalista.
Viva Cuba!!!
Viva Fidel Castro e sua Revolução Cubana!!!

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Realidade.

Realidade, tema muito complexo que bate a nossa porta algumas vezes. Quantas vezes se ouviu falar que: "a realidade da cadeia é muito diferente da liberdade." ou "a realidade da favela é diferente da realidade do asfalto."
Frases que possuem um efeito muito bonito, mas inócuas. Para um ouvido mais apurado, soa como verdadeira bobajada.
Durante muito tempo, fomos doutrinados e até adestrados para acreditar nesse tipo de informação. Fomos educados dentro dos valores liberais que sempre vão fracionar e moer a realidade de tal forma até fragmentá-la.
Caros amigos. Nesse momento venho tirar meu velho e surrado coelho da cartola. NÃO EXISTEM VÁRIAS REALIDADES!!! Como assim, não existem várias realidades?! Pois é, a realidade é uma só: A luta de classes. Em qualquer lugar na face da terra (Exceto na resistente Cuba) a realidade é a luta de classes, o resto é maquiagem.
É, amigos, pode ser difícil achar que um médico da rede pública e um estoquista de shopping tenham a mesma realidade, mas tem. Ambos tem um patrão que os explora, um sistema que os explora e a realidade é essa.
Temos desde fins do século XVIII um sistema global que oprime as classes trabalhadoras e Marx foi muito feliz em sua análise de tal sistema. Os marxistas de um modo geral também foram muito felizes principalmente Lênin, Rosa, Gramsci, Lúcacks, Mariátegui e mais recentemente Said e Jameson. Erraram? Óbvio, são humanos e passíveis de erros e falhas, mas construíram obras onde podemos buscar elucidações da realidade que nos cerca.
Violência urbana? Luta de classes. Flamengo e vasco? Luta de classes. Aumento dos Royaltes do petróleo? Luta de classes. Carnaval? Luta de classes. Para todas, eu disse todas as situações, a luta de classe vai cumprir o seu papel onipresente (opa!) no mundo capitalista.
Agora, nosso papel é não deixar se ludibriar pela mídia liberal e suas fragmentações típicas da mesquinhez burguesa. temos que estar sempre atentos. Um respeitado repórter de uma das líderes de audiência um dia exclamou: "ainda bem que no Brasil não tem luta de classes!" - Ele é louco?! A luta de classes sempre esteve presente no mundo capitalista e em alguns momentos ela estará radicalizada na forma de batalhas e conflitos diretos, mas na maioria das vezes, principalmente nas últimas décadas do século XX, a luta de classes vai estar camuflada na violência urbana, vai estar camuflada nas instituições sindicais e até a existência das classes vai ser questionada.
Ora, temos que ter no mínimo hombridade, que é o que eu acho que tá faltando. Estudo e rigidez teórica não pode ser confundido com autoritarismo. Uma boa base teórica não pode ser confundida com fanatismo e bitolação.
Então, pra fechar com chave de ouro, vou reafirmar. Realidade só tem uma: a luta de classes.